

Na manhã desta quarta-feira (15), a Secretaria da Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), de forma integrada com as Polícias Civil (PC-PI) e Militar (PM-PI), deflagrou a Operação Chip Falso. A ação policial teve como principal objetivo desestruturar uma organização criminosa altamente organizada e especializada em invasões de sistemas e fraudes eletrônicas de alta complexidade tecnológica na capital piauiense.
Coordenada diretamente pelo Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), a operação mobilizou dezenas de agentes para o cumprimento de 30 mandados judiciais, divididos entre mandados de prisão e de busca e apreensão. Até o fechamento desta reportagem, dez pessoas já haviam sido presas em flagrante ou por força de mandados judiciais. Durante as buscas, a polícia também apreendeu diversos computadores, celulares e equipamentos eletrônicos que serviam como base para os crimes.
O "QG" do crime e o uso de Inteligência Artificial
As investigações apontaram que a quadrilha operava a partir de uma "central de golpes" instalada em uma residência em Teresina. No local, o bando utilizava um aparato tecnológico sofisticado para enganar sistemas de segurança digitais, especialmente os bancários.
Para conseguir a liberação de contas e a criação de cadastros falsos, o grupo fazia uso de:
Documentos de identificação falsificados com dados de terceiros;
Selfies biométricas manipuladas digitalmente;
Imagens geradas por Inteligência Artificial (IA) para burlar as etapas de validação de identidade dos aplicativos financeiros (técnica conhecida no meio de segurança como injeção de selfie).
Como funcionava o golpe do SIM Swap
O carro-chefe da organização era a técnica de SIM Swap (troca ilegal de chip). O processo consistia em transferir, de forma fraudulenta e sem qualquer consentimento, a linha telefônica de uma vítima real para um chip virgem sob o controle dos criminosos.
Com a linha telefônica da vítima em mãos, os criminosos conseguiam:
1. Clonar contas de WhatsApp para enviar mensagens a familiares e amigos solicitando transferências de dinheiro sob falsos pretextos;
2. Invadir contas bancárias ao interceptar os códigos de recuperação de senha enviados por SMS;
3. Realizar compras de altos valores utilizando cartões de crédito e credenciais financeiras das vítimas.
Força-tarefa integrada
A magnitude da operação exigiu uma ação conjunta das forças de segurança do estado. Além do DRCC, a Operação Chip Falso contou com o suporte da Superintendência de Operações Integradas (SOI/SSP-PI), da Força Estadual Integrada de Segurança Pública (FEISP), da Diretoria de Operações Policiais (DEOP) e do Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO).
Alerta policial: Como se proteger do SIM Swap?
Diante do crescimento desse tipo de crime digital, o DRCC e a Polícia Civil do Piauí emitiram orientações cruciais para que a população evite prejuízos:
Fique atento ao sinal do celular: Se o seu aparelho perder repentinamente o sinal de rede (voz e dados móveis) sem motivo aparente e a situação persistir por muito tempo, desconfie.
O que fazer: Entre em contato imediatamente com a sua operadora de telefonia por outro aparelho para checar se houve alguma solicitação de troca de chip ou portabilidade não autorizada por você. Caso confirme a fraude, avise imediatamente seus contatos e registre um boletim de ocorrência.
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